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Sandra Huang

São Paulo/SP

Sutil lirismo

A passagem do tempo é um dos principais temas das artes visuais. Como esquecer por exemplo o célebre relógio derretendo de Salvador Dalí em 'A persistência da memória'? Mas há outras maneiras de tratar o tema, distantes da inspiração dos sonhos surrealistas e mais próximas do fantástico que o cotidiano oferece para quem quiser/souber olhar/sentir.Sandra Huang concebe o tempo com lirismo em jogos de

amarelinha, arvores, espaços em que a chuva se faz presente e, é claro, no próprio processo de criação, já que lidar com tintas e outros materiais é justamente uma maneira poética de dialogar com a passagem dos segundos sem tentar, inutilmente, controlá-los.

As imagens que surgem nesse processo têm uma profunda dimensão humana, no sentido de gerar questões existenciais, na linha das célebres perguntas gregas que nos orientam a buscar as origens passadas, a presença presente no mundo e o destino que desejamos ou podemos dar a nossa caminhada vivencial.

Nessa jornada em que o tempo nos prende e, ao mesmo tempo, liberta, Sandra Huang utiliza a cor e líricas figuras para apresentar temas viscerais com fino humor, trazendo uma visão que encanta por não ser pretensiosa e emociona por ser fantasiosa sem perder um sutil contato com o que chamamos de realidade.

Oscar D'Ambrosio